O
jogo da nova sociedade periférica brasileira é simples, (pelo menos aqui em São
Paulo) estudar numa escola estadual porcaria até o final do 2° fundamental e então ir pra um ETEC, fazer o ensino médio
junto com técnico. Se você opta por um curso comum (ADM, Finanças etc) sempre
haverá uma escola técnica perto. Agora, meu amigo, se você quer ser qualquer
coisa da área do design, da comunicação etc. E mora no extremo leste,
prepare-se, você vai viajar e passar seu
tempo numa condução nada agradável.
Meu nome está ali do lado, mas aqui na terra
do meio real meio faz de conta, vamos dizer que meu nome é Zé Ferreira, sou
suburbano, Itaim Paulista pra ser mais exato, do lado paterno tenho o sangue
pernambucano, do lado materno é paranaense, sou o equilíbrio de tudo o que é
gosto brasileiro, sou a face da lambança nacional. Por um erro de atenção não faço o ensino médio
integrado, e sim o regular na Extensão Amadeu Amaral localizada no Belém,
naquele sujo, imundo bairro do Belém, e o técnico na ilustre ETEC Carlos de
Campos, no horrendo ex bairro operário do Brás.
Os
episódios aqui relatados senhores não são 100% verídicos, são uma sátira da
nossa atual situação política, cultural, educacional, filosófica e ética. Quero
mostrar a vida dos periféricos, dos descendentes de imigrantes e migrantes, dos
filhos dos pedreiros, das domésticas, dos caminhoneiros, dos auxiliares e
técnicos em farmácia. Serão mesclados em pontos da cidade, seja no Centro, ou
na periferia, o que importa é rir para não chorar da nossa juventude que
construirá a nação do amanhã.
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